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"Licenciei-me… E Agora?", o livro da Catarina Alves de Sousa


Encontrar um lugar no mercado de trabalho pode ser um verdadeiro desafio, quer se seja recém-licenciado ou não. Saber o que fazer e como o fazer de acordo com o panorama actual não é fácil e muitas vezes existe um confronto com as decisões importantes que têm de ser tomadas de forma rápida (não deixando espaço para o lado eficaz tanto quanto se desejaria).
A Catarina é quem está por detrás do blog Joan Of July e os seus dias enchem-se de paixões (ou devo dizer amores?) pela escrita, fotografia, projectos e pequenos negócios que a deixam de coração cheio. Quem já a lê no seu espaço online vai reconhecer no livro a sua forma de comunicar, num discurso simples, direto e que combina o lado pessoal com os assuntos de carácter mais formal que são abordados.


O facto de ter uma idade próxima do possível público-alvo aproxima-a de quem lê e confere ao livro aquilo que podemos considerar um dos aspectos mais importantes neste género – o sentido prático e a veracidade através da sua própria experiência.

O Licenciei-me… e agora? vem colmatar a ausência de conteúdo útil deste género, adaptado ao mercado de trabalho português. Apesar de podermos retirar algumas lições de conteúdos internacionais, como a própria Catarina faz referência, existem alguns aspectos que são mais comuns na nossa cultura e que estão subjacentes à própria dinâmica das entidades e empresas portuguesas. Com testemunhos, dicas, vídeos e reflexões práticas a autora mostra-nos que a procura de emprego e de novas oportunidades não é um bicho-de-sete-cabeças e que as dificuldades, por mais exclusivas ou pessoais que pareçam no momento de as enfretar, são sempre solucionáveis.

Resumidamente, e na capa diz tudo, este é um guia prático para entrar com o pé direito no mercado de trabalho e/ou como sobreviver a mudanças de forma bem-sucedida após uma licenciatura. Como a grande maioria das licenciaturas actualmente tem duração de 3 anos, a Catarina responde aqui a perguntas de 3 respostas que vos vão permitir conhecê-la melhor e, quem sabe, despertar o vosso interesse em levar o Licenciei-me…e agora? para casa.


3 aprendizagens importantes que retiraste da licenciatura

Não é fácil enumerá-las, pois durante muito tempo achei que não tinha feito a melhor escolha para o percurso que escolhi, mas agora consigo facilmente enunciar algumas lições importantes. Entre elas:
O curso que escolhi não me define - durante muito tempo achei que estava condicionada pelas saídas profissionais do meu curso, quando tal não era verdade. Hoje em dia somos nós que criamos e pavimentamos o nosso percurso profissional; podemos manter-nos na mesma linha do curso que tiramos ou definir todo um novo rumo se acharmos que faz mais sentido. No fundo, o que quero dizer é que não temos que estar limitados a algo cujos limites estão, na realidade, apenas na nossa cabeça.
A faculdade não é composta apenas de obrigações e avaliações - Sim, também temos amigos e colegas, mas mais que isso temos professores, mentores, pessoas mais velhas e mais experientes a quem se calhar não damos a devida importância quando estamos na faculdade, mas que podem dar-nos a mão mais tarde quando precisarmos. Fazer contactos e até manter relações e contactos com professores é importante. Eu deixo-me sempre marcar por pessoas que me inspiram de alguma forma. Recentemente, voltei a entrar em contacto com a professora que mais me marcou durante a minha licenciatura (a professora Angélica Varandas) e convidei-a para ser uma das apresentadoras do meu livro no evento que teve lugar na minha antiga faculdade. Foi um dos momentos mais emocionalmente tocantes do meu ano.
Não vou sair preparada para o mercado de trabalho - cada experiência é única, mas no meu caso não senti que tivesse tido o acompanhamento necessário para ter uma ingressão pacífica e natural no mercado de trabalho. Não senti que a faculdade me desse as ferramentas de que precisava. Senti-me meia sozinha nisto. Claro que a faculdade não pode fazer “a papinha toda” nem estava à espera que o fizesse, mas senti-me mesmo desamparada. Por outro lado, tendo entrado recentemente com a faculdade por causa da apresentação do meu livro (que teve lugar na FLUL - Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), também percebi que muita coisa mudou desde que me licenciei e que, hoje em dia, há uma abertura muito maior (e mesmo um departamento destinado a essa finalidade) para acompanhar os alunos e facilitar a sua ingressão na vida profissional. Na FLUL esse departamento chama-se Núcleo de Orientação, Gestão e Aconselhamento de Carreira, mas outras faculdades terão outros departamentos equivalentes com outros nomes. Procurem-no e peçam ajuda e apoio.


3 ferramentas/actividades que ajudam no networking

Levar cartões de visita - sempre e, de preferência, que reflitam bem no design e organização de informação e contactos do que se trata o teu blog, empresa ou serviços;
Pesquisa prévia - antes dos eventos em que esperas fazer networking, ajuda bastante investigares na lista de participantes quem vai e quais serão as pessoas que mais te interessam à partida. Investiga o que fazem, no que trabalham, quais são as suas aspirações, etc. Quase toda a gente que participa em eventos de networking tem uma forte presença online, por isso aproveita para anotares possíveis tópicos de interesse para que seja mais fácil abordar as pessoas e manter uma conversa interessada com elas.
Manter contacto - depois dos eventos de networking, podes e deves adicionar todos os contactos que fizeste ao teu Linkedin e restantes redes sociais, se assim quiseres, mas não te limites a isso! Se conheceste alguém que consideras ser muito interessante e alguém com quem queres manter uma relação no futuro, seja profissional ou de amizade, envia-lhe uma mensagem depois do evento simplesmente a dizer que gostaste muito de a conhecer e que vais ficar atento/a às novidades do seu novo projecto através da página do Facebook, que já começaste a seguir (só para dar um exemplo; podes adaptar a mensagem como fizer mais sentido).


3 conselhos para pessoas que gostavam de mudar de carreira

Tentem perceber se o que querem é realmente mudar de carreira ou simplesmente de trabalho; Comecem a investigar o mercado ainda antes de tomarem uma decisão oficial; Procurem trocar impressões e conselhos de outras pessoas que conheçam (ou não) e que passaram pelo mesmo e conseguiram mudar de carreira. Não dá nada mais motivador para quem está a pensar fazer uma mudança radical de carreira.



3 formas de enfrentar um bloqueio criativo

Muito se poderia escrever sobre isto (e também já o fiz), mas há três conselhos que dou sempre a quem os procura:
Para de criar para os outros - especialmente se tens um blog e escreves de forma “pública”, para um bocadinho de pensar no que os outros gostariam de ler (até porque podes estar errado/a) e permite-te escrever sobre aquilo que verdadeiramente de inspira.
Revisita os teus melhores trabalhos - é um boost fantástico para a nossa criatividade ou, nem que não seja, para a nossa auto-estima! Saber que já fomos capazes de criar coisas com tão boa qualidade, faz-nos acreditar que podemos fazê-lo novamente. E podemos mesmo!
Força até sair algo muito mau - há sempre a opção de simplesmente se parar para respirar, mas um conselho mais “fora da caixa” que gosto de dar e de pôr em prática é este (no caso da escrita): se não te sai nada que consideres bom ou interessante escreve na mesma. Escreve sobre não conseguires escrever, escreve sobre não estares a gostar do que estás a escrever e, em seguida, escreve sobre algo positivo sobre a tua escrita: textos que já escreveste, como te sentias motivado/a na altura em que os escreveste, etc. O objectivo não é publicar, mas sim deixar as palavras fluírem e desobstruir a veia criativa.





3 motivos para ter e alimentar um blog

Para mostrar trabalho - quando procuramos emprego é sempre bom podermos mostrar trabalho feito e divulgado (e mesmo comentado). Para além disso, ao termos um blog mostramos que somos pessoas que se interessam activamente por temas que podem (ou não) estar relacionados com o emprego que procuramos.
Escape criativo - não há dúvidas quanto a isso, certo? Pelo menos no meu caso, o blog ajuda-me imenso a dar expressão à minha criatividade e a desenvolver novas aptidões. Se não fosse pelo blog, se calhar nunca tinha evoluído tanto a minha fotografia e consequentemente arranjado trabalhos nessa área.
Conhecer pessoas com ideias alinhadas às nossas - pessoas essas com quem, por terem interesses parecidos com os nossos, facilmente formamos uma amizade e com quem podemos até vir a criar projectos. Eu fiz isso com a Ana Garcês e a com a Catarina Costa quando nos tornámos amigas e decidimos criar o Bloggers Camp. Tudo por causa dos blogs! Se não fosse pelos blogs, se calhar nem nos teríamos conhecido.


3 bloggers licenciados(as) que te inspiram

Helena Magalhães - a Helena é escritora e autora do livro Diz-lhe Que Não. Admiro-a por explorar diariamente a sua paixão pela escrita e por ter feito dela o seu percurso profissional, tendo-se despedido de um emprego que não a fazia feliz e construído a sua carreira como escritora desde então.
Ana Garcês - a Ana está a estudar Enfermagem (ainda não é licenciada, mas para lá caminha), mas não teve uma entrada fácil na faculdade. Muita gente teria desistido e optado por outro curso de entrada mais fácil, mas a Ana não, e batalhou pelo que queria durante o tempo que foi necessário.
Catarina Costa - A Catarina está prestes a começar uma aventura profissional nova e completamente diferente daquilo que tem feito nos últimos dez anos. Não posso adiantar muito mais sem a sua permissão, mas posso dizer que a admiro imenso pela coragem que teve em mudar. É tão difícil fazê-lo quando a nossa situação económica não é das mais difíceis e o nosso trabalho é considerado “bom”, mesmo não nos deixando realizados...


3 sítios para deixar as ideias fluir

Parque Botânico do Monteiro-Mor e Quinta das Conchas - dois espaços verdes lindíssimos e mesmo ao pé da minha casa, em Lisboa.
Falésias de Ferragudo (Ferragudo, Lagoa, Algarve) - Passo férias em Ferragudo há mais de dez anos e nunca me sinto tão em casa na natureza como nas falésias. É o meu “happy place” e sempre será.
Arthur’s Seat - Edimburgo - só lá estive uma vez na vida (por enquanto) e chegou para saber e sentir que é um lugar que me faz sentir… diferente. A inspiração que me invadiu neste sítio é indescritível, mas poderosíssima. Quero repetir esta visita num futuro próximo.


3 livros que te motivaram a escrever o teu

Muitos foram os livros que me motivaram a escrever o Licenciei-me… e agora e até escrevi sobre estes neste post, mas dos sete vou destacar estes três: Big Magic de Elizabeth Gilbert; Still Writing de Dani Shapiro e From College to Career de Lindsey Pollak.



3 artistas que admiras

Na escrita admiro muito a J.K. Rowling e a Juliet Marillier (a minha escritora favorita de fantasia histórica), na fotografia o Alessio Albi, que não sendo um fotógrafo conhecido, faz daqueles trabalhos que me fazem pensar “caramba, quem me dera ter sido eu a fazer isto!”.


3 filmes/séries que sabes as falas de cor

Mean Girls - because it’s just “so fetch!”!
Game of Thrones - sei algumas palavras do discurso em alto-valiriano da Daenerys na temporada 3, episódio 4, quando ele estava a tomar a cidade de Yunkai (se não me engano) e a incentivar os escravos a matar os esclavagistas. Sou um bocado nerd.
Harry Potter - Muitas citações do primeiro filme, A Pedra Filosofal. Os livros do Harry Potter fizeram parte da minha infância e início de adolescência. De certeza forma, ajudaram a formar os meus gostos e parte da minha identidade. A literatura, especialmente em alturas cruciais das nossas vidas, tem esse poder.


3 hobbies que ocupam o teu tempo livre

A escrita, claro, a fotografia (começou como habby e agora já faço trabalhos enquanto freelancer) e andar de bicicleta na minha cidade. Este último é um hobby novo e que só adoptei este ano, mas adoro e divirto-me imenso a andar de bicicleta nesta Lisboa maravilhosa, especialmente pela Quinta das Conchas e pela Mata de Alvalade (Parque José Gomes ferreira).


3 ted talks que te mostraram uma perspectiva diferente

Tracy Chevalier: Finding the story inside the painting - adorei esta talk. A Tracy Chevalier é a escritora do livro Rapariga com Brinco de Pérola e inspirou-me a visitar um museu, observar retratos e escrever uma história sobre um deles. O resultado foi este texto do qual gosto bastante.
Your elusive creative genius | Elizabeth Gilbert - a mesma escritora do Eat Pray Love e do Big Magic; a mulher é genial e esta talk vale muito a pena.
To find work you love, don't follow your passion | Benjamin Todd | TEDxYouth@Tallinn - a primeira talk que vi e que me motivou a escrever o Licenciei-me… e agora?. Não te deixes desmotivar pelo título, vai fazer todo o sentido, prometo.


E vocês? Já têm o livro da Catarina?

4 comentários

  1. Ainda não tenho mas seria uma mais valia para mim tê lo

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  2. Mariana gostei muito das perguntas que fizeste à Catarina, super úteis mesmo :) quando estou com bloqueio criativo também revejo posts antigos e costuma ajudar bastante, ou então desligo mesmo e volto a tentar mais tarde :)

    beijinhos

    Vânia
    Lolly Taste

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  3. Não podia concordar mais com estes tópicos:
    - O curso que escolhi não me define
    - Não vou sair preparada para o mercado de trabalho

    Acabei este ano a minha licenciatura e estou naquela fase em que não sei bem o que fazer da minha vida. E este livro da Catarina só me dá mais curiosidade em lê-lo!

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