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Escrito na Água


Depois d’ A Rapariga no Comboio, Paula Hawkins lançou o thriller Escrito na Água. Devido ao impacto do primeiro, que se tornou um bestseller mundial, o segundo era um dos mais esperados deste ano.


Nel estuda os acontecimentos que marcam o Poço das Afogadas, tentando desvendar os motivos que levaram várias mulheres a ficar ali. Libby Seeton, Anne Ward, Lauren Slater e Katie Whittaker são algumas delas.
Um dia é ela quem aparece no rio e a investigação do caso serve de guia para o nosso conhecimento da vida das mulheres anteriores e da própria Nel. Após saber da tragédia, Jules regressa à casa da família, que agora era da sua irmã e da filha Lena, para perceber o que esteve na origem da sua morte. O confronto com o passado tem um poder desolador, mas o seu sentido crítico e conhecimento da irmã levam-na a pôr em causa todas as deduções que conduzem a polícia a uma conclusão.

Uma das coisas mais interessantes neste livro é a forma como a história é apresentada. O facto de os capítulos serem narrados segundo a perspetiva de uma determinada personagem, com recuos e avanços temporais, requer da parte dos leitores alguma atenção aos detalhes para conseguirem “montar o puzzle” o mais rapidamente possível.


Pode dizer-se que para cada “caso” existe uma história secundária e que todas elas se cruzam e são importantes para desvendar mistérios, no entanto o facto de ter muitas personagens como “narradores” atrasa, de certa forma, o desenrolar da história principal e pode criar alguma confusão, sobretudo na primeira metade do livro. No final de contas tudo tem o seu valor para a compreensão dos factos e o ocasional ritmo mais lento também é necessário como complemento para a construção das personagens.

Para além da complexidade superior do enredo, os acontecimentos finais tornam-se menos previsíveis que no livro anterior da autora, e as revelações dos últimos capítulos são mais aguardadas, porque é possível ter sempre aquela sensação que todos têm algo a esconder, todos têm uma parte de culpa em qualquer coisa e em qualquer parte das cinco histórias. É possível desconfiar do final, mas não é possível ter a certeza dele até chegar mesmo às últimas páginas.

O tipo de escrita transmite de forma clara, mas intensa, as emoções e os acontecimentos vividos pelas personagens. A sensação que tive é que o passado é descrito de forma mais poética, transmitindo a ideia de algo distante, e o presente é mais nu e cru com situações de causar um aperto no peito só de imaginar.

Não querendo revelar demasiado, aconselho a leitura a quem gostou d’A Rapariga no Comboio.

Boas leituras!

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